Eu, gorda!

17 jul

Nunca fui magra. Estive magra por um curto período da vida, mas passou. Porém nunca estive tão gorda como agora. Me incomoda um pouco, mas não tanto a ponto de eu trocar o meu brigadeiro pela rúcula.

eugorducha

Depois que Francisco nasceu eu fiquei barriguda, e a danada da barriga cresce junto com o moleque (vai ver que é pro caso dele querer voltar), e o meu braço-coxa tá uma coisa terrível. Mas também não me incomoda tanto a ponto de eu querer trocar o meu chocolate por uma pedra de gelo.

Acontece que pra eu ser magra eu teria que viver uma vida de sacrifícios, e cêjura que eu vou passar a vida me privando de comer as coisas que eu gosto só pra caber num manequim 40? Aham, Cláudia, senta lá. Tenho coisas mais importantes com que me preocupar, mais interessantes pra fazer e pra quê diabos eu me sacrificaria para ser magra? Não pretendo ser modelo, nem manequim, nem qualquer outra coisa que me exija um corpo esbelto. Tirando a questão da saúde (que vai muito bem, obrigada), porque raios eu teria que entrar nessa paranóia de emagrecer a qualquer custo?  Nhé. Não, obrigada!  Tô preferindo ser feliz.

Não é fácil não ser o padrão de beleza ocidental. Ouvir piadinhas, ser vítima de preconceito, não conseguir encontrar uma roupa bacana pra comprar (Ei, estilistas, tem gordo jovem também, viu? Parem de nos enfiar roupas que nos deixam mais velhas do que nossas avós, por favor!), e ficar ouvindo a todo instante que “você precisa dar um jeito, fazer uma dieta, entrar numa academia”, mesmo que você não se interesse nadica de nada por isso.  A cobrança por um corpo ‘perfeito’ é absurda, e a minha auto-estima tem hora que não aguenta e vai pro saco! Aí é uma merda, porque a minha libido vai à zero, a minha vontade de sair de casa é nula e eu deixo de me cuidar, de me arrumar, e  – aí sim – viro um tribufu, e pior: um tribufu infeliz! Mas depois passa. E depois volta. Pra depois passar de novo e voltar, mais uma vez. E eu me pergunto: por que  não me deixam quieta e não me deixam ser feliz do jeito que eu sou? Por que cargas d’água eu preciso seguir esse padrão photoshop que impuseram ao mundo? Não preciso. E ponto final. Chega de mudanças de humor por causa do que o resto do mundo acha sobre meu peso, corpo e aparência.

Tô saindo de uma fase ruim, e voltando a gostar mais de mim, com os meus quase 3 dígitos na balança e tudo!!!  Decidi que não quero mais ser refém do tal ‘padrão de beleza’, e descobri que eu posso sim ser linda, sexy e poderosíssima com todos os quilos que carrego comigo.  E prometo não me sentir o cocô do cavalo do bandido a cada vez que alguém fizer alguma piadinha sobre o meu físico. Se a piadinha for boa (e às vezes é), eu vou até rir junto!

Aos 34 anos eu acho que eu já posso me dar ao luxo de ser feliz –  assim, do jeito que eu sou! 🙂

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8 Respostas to “Eu, gorda!”

  1. Dolphin 17/07/2011 às 16:32 #

    Queria ser assim, não pirar com o fato de estar acima do peso. Mas piro e sofro demais. Amanhã – segunda-feira é o dia mundial da dieta rsrs – fecho a boca e espero conseguir sobreviver a falta dos brigadeiros e outras coisas deliciosas que adoro.

    Admiro demais mulheres como você. Fico rodando a web atrás de blogs de gordinhas que se sentem felizes do jeito que são, tenho um monte favoritado. Sou fã da Flúvia Lacerda, sabe quem é? A modelo brasileira plus size mais famosa do mundo. É considera a Gisele Bundchen da moda plus size. Tem também a menina que concorreu a miss lá na Ingleterra, conhece a história? Aqui: http://silviadaujotas.blogspot.com/2010/05/chloe-marshall-miss-inglaterra-gordinha.html

    Creio que o conceito de mulher magérrima ou sarada as poucos cairá por terra. Por falar nisso você leu o texto do Xico Sá de hoje? http://xicosa.folha.blog.uol.com.br

    Tem o Ronnie Von que vive falando do quanto as mulheres acima do peso são o ideal: http://televisao.uol.com.br/ultimas-noticias/2011/06/22/todas-as-mulheres-gordinhas-com-que-eu-vivi-um-romance-foram-impecaveis-conta-ronnie-von-em-entrevista.jhtm

    Lá no escritório a homarada vive me dizendo que preferem mulheres como eu do que magrelas como uma outra menina muito bonita que trabalha lá. Eles afirmam que o padrão de beleza da mulher normal seria como eu e não as bitoladas que vivem em função de manter uma aparência irreal. Meus amigos nerds falam que mulher de verdade é aquela que devora um Black Dog (uma famosa cadeia de fast food aqui de Sampa com dogs gigantes e que amo comer!) e não as que ficam de frescura e só comem alface. =P

    Mas mesmo com tudo isso, não consigo me sentir bem comigo mesma. Não que eu queira ser magérrima, não é isso. Mas quero voltar ao meu corpicho de antes ao menos um manequim 42 já me deixaria muito feliz. =/

    Enfim, fiz do seu post um espaço para desabafar, estava precisando. =)

    Beijos, mãe do Francisco! ^_____^

    • Juliana Freitas 17/07/2011 às 17:35 #

      O texto so Xico Sá hoje foi um dos dois que li sobre o tema antes de dar meu pitaco aqui 😉

      Não conhecia a Chloe Marshall, e POOOTAQUEOPAREEEEO, que mulher linda!

  2. ANA PAULA 17/07/2011 às 17:05 #

    Eu sempre fui magra, estou gorda por um pouco periodo da vida ( assim espero), sempre comi tudo o que tive vontade e hj me encontro trocando o brigadeiro por umas folhinhas de alface, coisas de ser mãe do Ryan, a 5 anos atras eu pesava 58 usava 40 e não tinha um filho lindo maravilhoso. queria muito, ser assim mas eu não tenho forças pra lutar contra a socieda, principalmente aqueles que me rodeiam e que eu tanto amo, ontem fiz minha primeira sessão de carboxiterapia rsrsrs agora da até vontade de rir pq menina o coisinha pra doer, ganhou da minha dor de dente e da sinusite e so perdeu pro meu parto, mas a vida continua e sigo na busca da barriga perfeita.

  3. Beto Mafra 17/07/2011 às 17:12 #

    A única coisa de que reclamo nas gordas é a minha falta de braço.

    Desencanem, gorduchas deliciosas, pois esse é o mal do segundo século do consumo, por consumirmos tanta comida quanto nossos avós magros, que tinham de carregar potes de água do poço e capinavam sua própria salada.
    Hoje gastamos apenas o invisível e questionado “suor de cérebro” mas comemos da mesma forma que comeríamos depois de amassar pão e degolar galinhas, com o agravante de não precisarmos preparar os pratos, sequer.

    À indústria de alimentos não importa nutrir ou satisfazer: a ela importa o LUCRO.
    Aos produtores de alimentos leves para dietas não interessa ver sua consumidora magra: interessa o LUCRO. A multiplicação de especialistas em dietas não espera nunca produzir uma geração magra: perderiam mercado e… LUCRO. À imprensa não interessa mudar a cultura alimentar pois depende da indústria de alimentos, da indústria de comida diet, da indústria farmacêutica – todas interessadas apenas em LUCRO. Por isso mantém todas as mulheres em estado de ansiedade próximo do paroxismo em relação ao corpo: assim elas comem mais por ansiedade e geram LUCROS pra toda a cadeia de patrocinadores.

    Sejam revolucionárias, queridas que adoro apertar.
    Assumam suas gordices com alegria e quebrem a parte doente do mercado.

  4. Nanamada 17/07/2011 às 17:22 #

    È isso ai Ju! jamais acredite, nem dê credito a quem declara que quem tem uma camada mais espessa de tecido adiposo nao pode ser sexy, nem bonita,nem desejável…viva as diferenças corporais, as curvas, reintranças e dobrinhas,rsss. A sensualidade esta alojada na mente saudavel

  5. Nanamada 17/07/2011 às 17:32 #

    Para quem nunca pensou nisso o visual é somente uma parte do Ser.Ajuda para atrair mas…O amor é um todo e o visual não é o todo desse todo , nao chega nem a 30% do todo.Na hora H o que vale é a afetividade, carinho ,o tom de voz, a maciez da pele,cabelo sedoso, o senso de humor, a flexibilidade ,habilidades especificas (hehehe) corpo cheiroso…Homem de verdade nem se lembra se existe uma barriga proeminente ,estrias, gordurinhas aqui e ali , se ta com tempo de pensar nesses pequenos detalhes algo estranho está acontecendo e nao é na gente,hahahahaha! …Há tanta mulher com corpo perfeito que jamais sentiu prazer … Relax!

  6. Carla 18/07/2011 às 00:37 #

    Se eu não fosse tão distraída acho que teria o maior problema com o meu corpo. Passei dos 3 dígitos faz mó tempo. Só subo em balança qdo vou ao médico, numa destas vezes me perguntaram o peso e eu: 120, tava com 108 e nem tinha me tocado que aquela ligeira folga nas calças não era só o cecular forçando o bolso pra baixo. Imagino que pra pras obesas 12Kg deva ser sonho de consumo. Nós, obesas mórbidas (acho este mórbido tão uó), nem ligamos.
    Um dia tava andando no Brás (bairro de comprar roupa em SP) e depois de ser abordada por uns 10 meninos com cartões pra lojas de tamanho especial me senti uma super star, coloquei os óculos escuros e fiquei me sentindo. Descobri que os guris são bem treinados, continuaram me identificando B-)

  7. Carolina 19/07/2011 às 22:16 #

    Afff esse teminha é encardido e ardido!! Já experimentei os dois lados. Já fui magrinha, tipo, normal sem fazer dietas, e já fui gordinha e isso me afetou bastante. Também pudera, em minha casa ninguém nunca – desde a minha existência – foi gordinho. A pressão que sofri na época, dentro da minha própria casa, pelo meu pai, já foi o suficiente para eu temer os quilos a mais. Não vou negar, depois dessa época sempre fui encanada com peso. Nunca ao ponto de pretender me tornar magérrima, o que nem é meu tipo físico, mas ao ponto de manter uma linha confortável que não me incomode. Gosto de comer uma porcariazinha, mas adorooooooooo saladas, frutas, coisas saudáveis tb. Fui criada assim e não como porque é light, mas porque curto mesmo. Minha opinião a respeito é. Não é a comida, os hábitos, a roupa, isso ou aquilo que importa e sim como vc se vê e como se sente. Claro que hoje em dia com essa pressão toda estampadas nas bancas e na TV qualquer um se sente uózinho!! E talvez seja nesse cenário tão repressor que a gente vai encontrar o que de fato queremos, pois em meio a esse caos, podemos descobrir ou inventar uma nova ordem, a nossa nova ordem. Bjoca para a minha prima gostosa!!!

Chora, cavaco!

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