Eu passei quase uma semana lendo e ouvindo que Axl já não era mais o mesmo, e tal e coisa, e passei a mesma semana respondendo que eu também não. Vinte anos se passaram desde quando eu suspirava por ele, sonhava que teria filhos com ele (Shiloh Blue e Willow Amelia. Rá!), que tinha pôsteres e mais pôsteres, enoooormes, com a foto dele e de toda a trupe no meu quarto. Vin-te a-nos! É muita coisa.
Na noite anterior ao show eu mal consegui dormir, tamanha era a ansiedade. Eu e ele estaríamos no mesmo quilômetro quadrado, eu iria – finalmente – a um show do Guns n’ Roses (‘Ah, Ju, mas a banda mudou toda!’ – gente pentelha que gosta de jogar balde de água fria na empolgação alheia é issaê mermo! Cacete, foda-se que mudou! Guns pra mim sempre foi Axl e o resto – ok… Axl, Slash e o resto).
Todo o meio tempo entre minha ansiedade até o começo do show você pode ler no post anterior.
Uma hora depois do show do System of a Down (taqueoparêo, mermão, a gente agüenta cada coisa nessa vida…), nada do filho da puta fofo entrar no palco. Chovia muito, e eu já imaginando a viadagem: “Não toco na chuva!” Porque Axl tem desses estrelismos irritantes, que eu não aturo em mais ninguém. Amar Axl é o meu lado mulher de malandro. Ele faz coisas que me irritam, desrespeita o público que tem e que o venera, mas mesmo assim eu o amo. Rá! Eu xinguei muito. Vaiei a demora, entrei no coro de “Ei, Axl, vai tomar no cu!”… E aí eu disse pro Ricardo: “Pronto. Agora ele vai demorar mais duas horas só porque a gente tá xingando. Axl é o João Gilberto do rock!” e, continuei: “Filho da putaaaa! Filho da putaaaaa!” Porra, eu tava no meio da muvuca, com aquela capa de chuva de plástico que esqueeeeeeeenta e cola no corpo da gente. Um inferno! E ansiosa… e nada do desgramado aparecer! As pernas estavam pesadas, os joelhos doíam, o sujeito sem camisa da minha frente insistindo em levantar o braço e colocar o suvaco fedido na minha cara… Não tava fácil. Eu ali, me sacrificando para vê-lo e o bonito fazendo doce lá dentro. =/ Ai, que ódeeeeo!
Mas aí ele entrou no palco. E eu griteeeeeeeei. Griteeeeeeeeeeeei! Gritei mais que adolescente em show do Justin Bieber. Axl, SEU LINDO! Puta merda, meu coração foi a mil! Seria perfeito se ele começasse o show com qualquer outra música que não fosse do Chinese Democracy, que eu não gosto muito, mas àquela hora eu nem estava me importando muito com isso. Me emocionaria até mesmo se ele cantasse Morango do Nordeste. Porque a música, naquele momento, era o que menos me importava pra mim. Eu estava lá, assistindo o cara cantando ao vivo, e não tinha outro lugar no mundo onde eu queria estar. Estico a cabeça, olho o cara no palco, pulo pra ver mais um pouco, xingo a girafa que estacionou na minha frente, desisto e olho pro telão! E eis que começa Welcome to the Jungle e, ignorando a dor nas pernas, começo a pular, a cantar, e a me lembrar de muita coisa bacana de vinte anos atrás.
O show não foi o melhor show da minha vida, e passou bem longe disso. Solos chatíssimos e intermináveis (Slash, cara… saudade… beijometuíta!), nunca emendavam uma música na outra, Axl cansadão. Pra quem tava habituada a ver vídeos antigos, onde o cara corria o palco em segundos, vê-lo parado na área, fazendo o Romário, foi um pouco esquisito. MAS, porém, contudo, todavia e não obstante, foi um show inesquecível, porque era ele, porque tocou Estranged (AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHH!!! #MORRI #CHOREEEEEEEI), porque eu estava com o Ricardo, e Guns n’Roses é o única coisa no mundo que nós dois gostamos (de resto, se eu amo, ele odeia. E vice-versa.)
Eu? Eu continuo amando Mr. William Bruce Bailey. Se ele não é mais Axl Rose, aqueeeeeele Axl Rose, eu não me importo. O cara fez parte de boa parte da minha vida, cantou muitas vezes pra eu dormir, pra eu chorar, dançar, beijar na boca, cantar junto, e ainda hoje consegue me emocionar, me arrancar alguns suspiros e… ai, ai…
Eu me sinto muito feliz por ter estado ali, por poder vê-lo ‘de perto’, eu faria tudinho de novo, passaria até mais perrengue se fosse preciso, pra assistir o mesmo show mais ou menos, pra ver o mesmo Axl velho, gordo e cansado!
Falem o que quiserem, eu nem ligo. Na alegria e na tristeza, na saúde ou na doença, na beleza ou na baranguice, isso é amor pra vida toda!
E, 20 anos depois, uma declaração de amor bem adolescente!
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